Quando te vais, ficas.
Quando te vais, ficas.
Sei-o porque aquela cadeira
Outrora coisa como outra coisa
Inerte, esquecida, morta,
Respira agora este perfume
Quase saudade.
Passaria mil vezes por este lugar
E mesmo que nela tropeçasse
Permaneceria sempre coisa
Inerte, esquecida, morta.
Não sei se existem as coisas
Antes que alguém as traga à vida
Condenadas ao esquecimento
Misto de nada, quadro vazio cinzento
Sem cor, sem dor, sem risos ou suspiros.
Esperam por ti estas coisas
Por ti que és para mim
Por alguém que é para outro alguém
Que deixe pegadas de beijos e lágrimas,
Que as suje de sorrisos, abraços
E as marque a olhares e passos.
No fundo nada é real
Sem que tu para mim
Alguém para outro alguém
As pinte em tons de emoção
Tons de amores
De aromas e sabores
Esperanças e sonhos
É o que somos afinal.
