Impulso de me sentir triste
Mesmo sabendo que me é proibido
Este impulso de me sentir assim triste
É mais forte do a vontade
Que me importa se atraio para o meu mundo
Estas lágrimas que conhecem tão bem esta face
Hoje choro porque sofro
Se há um sorrir e um ser feliz
Tem de haver um chorar e um sofrer
Que me importa, que me importa…
Ás vezes canso-me de ser luz
Apenas por ser mais forte que a vontade
A tristeza que me embrulha e conforta
As palavras que ficam por dizer
Mais ainda as palavras ditas a mais
Pesam muito para além de mim
Que me importa se me condeno à desgraça
Por sofrer um pouco esta noite
Amarrado pela dor de não te ter aqui
Esta noite não consigo mais do que sentir-me só
Por mais que me rodeie de outros
Afinal queria-te só a ti
Do outro lado deste suspiro
Do outro lado deste suspiro
Sei que esperas que fique assim perto.
Para que este silêncio morra no respirar
Apressado, profundo, desejado,
Nós os dois…
Ainda antes de te tomar nos braços
Fico assim só a olhar-te,
Para que saibas que neste momento
O meu mundo és tu.
E escutes, nos recantos secretos
Da alma que espreita na tua retina,
O coração que bate para ti
Forte e apaixonado.
Dou-te a força que há em mim
No abraço que quero por tua fortaleza,
Onde te sintas assim segura, sem medo.
Guardo-te tesouro com tudo o que há em mim.
Na noite debaixo da lua saciar desejos,
Trocar enfim suspiros e beijos,
No dia debaixo do sol cuidar, segurar,
Uns dias na mão,
Outros quem sabe no coração.
Que fiquemos um no outro
Andamos todos com os infinitos na boca,
Para sempre dizemos,
Para sempre
Andam os infinitos nas coisas pequenas,
Nas que ficam,
Para sempre
Andam os infinitos desencontrados,
Os para sempre perdidos,
Estranho amor
Outro dia encontrei alguém, linda ela,
Deixou-me um abraço e um beijo,
Ficou para sempre
Ás vezes nos anos de beijos o que fica?
As coisas pequenas breves ficam,
Os beijos são muitos, só poucos ficam
Ás vezes penso que quando damos,
Sem dar por ela, coisas pequenas
Damos tudo e ficam
Para mim ser profundo é ficar,
Como uma tatuagem na alma,
Que importa se por um momento ou uma vida?
Se me perguntas o que quero,
Digo-te apenas,
De nós quero que fiquemos um no outro.
Abraçar-te com o coração
Mais um amor que ficou por dizer,
A noite já vai longa e fria,
E adormeço a saber,
Que sou uma concha vazia.
O sol hoje já nasceu morreu,
E eu aqui a fingir querer ser,
O que havia para doer doeu,
Agora só me resta fingir esquecer.
Se calhar estás para ai nua,
Debaixo desta lua crua,
A desejar um pouco mais do que ter,
Alguém com quem adormecer.
E eu aqui a querer
A minha mão na tua mão…
E eu aqui a querer
Abraçar-te com o coração!
Se calhar estás para aí sem mim,
A sonhar ouvir dizer assim,
Estou para além do desejo cru,
Não quero mais ninguém, só tu.
Só tu para enternecer,
O amanhã, o amanhecer,
Só tu a quem sem contar,
Embrulhar neste meu olhar.
As palavras não são para nós,
Nesta noite seguros sós,
Tatuar-te no meu azul sem fim,
Dizer-te sou teu sim.
E eu aqui a querer
A minha mão na tua mão…
E eu aqui a querer
Abraçar-te com o coração!
Sou o que sonho
Não sei mais do que adorar o sol
Abrigar-me no carinho da lua
Correr sobre esta areia branca
Lavar a minha pele com este cheiro de mar
Não sei mais do que ter esperança
Por isso não conheço outro caminho que não vencer
Para mim as lágrimas são passos
E o frio é vento que me empurra a vela
E se me falta o pão na mesa
É para ter mais tempo para a alma
Quando o sol nascer e estiver debaixo desse azul
O vento trará de longe o tom suave
Do beijo que agora me falta
Fecho os olhos com um sorriso
Um amo-te à luz que me guia no dia
Um adoro-te à escuridão que me vela no sono…
Um dia acordarei contigo.
Sou o que sonho
O sonho não tem limites…
Quando te vais, ficas.
Quando te vais, ficas.
Sei-o porque aquela cadeira
Outrora coisa como outra coisa
Inerte, esquecida, morta,
Respira agora este perfume
Quase saudade.
Passaria mil vezes por este lugar
E mesmo que nela tropeçasse
Permaneceria sempre coisa
Inerte, esquecida, morta.
Não sei se existem as coisas
Antes que alguém as traga à vida
Condenadas ao esquecimento
Misto de nada, quadro vazio cinzento
Sem cor, sem dor, sem risos ou suspiros.
Esperam por ti estas coisas
Por ti que és para mim
Por alguém que é para outro alguém
Que deixe pegadas de beijos e lágrimas,
Que as suje de sorrisos, abraços
E as marque a olhares e passos.
No fundo nada é real
Sem que tu para mim
Alguém para outro alguém
As pinte em tons de emoção
Tons de amores
De aromas e sabores
Esperanças e sonhos
É o que somos afinal.
Achar-me na luz do teu olhar
Abençoo cada vez que inspiro
Esta vida que há em mim
Voz que nunca paro de escutar
Só conhece o céu como limite.
Abençoo as lágrimas e as tristezas
As pedras deste meu caminho
Que me levaram aqui tão alto
Próximo desse Infinito
Que não sei chamar pelo nome.
Abençoo-te a ti meu segredo,
Por desejar ser acariciado pelo teu respirar,
Por te procurar aqui, ali, e talvez no fim,
Por este grito sufocado que não entendo,
Amor, talvez…
Se por entre um rasgo de desejo
E um trago de saudade
Me perco no anseio do teu beijo
No lugar de uma lágrima nos meus olhos tua
Esboço um sorriso de vontade.
Se nossa hora não foi esta que passou
Foram outros tantos passos
Maior será o fogo pago nos teus braços
Vontade mais do que minha e tua
De me achar na luz do teu olhar!
Como só a ti amaria
Vieste sem te anunciares,
Sem que precisasse de ti,
Sem sentir a tua falta,
De mansinho,
Como uma brisa suave.
E quando pensei em ti
Já aqui estavas,
Já me faltavas,
Já te queria beijar.
O meu coração fechado era aberto,
A minha vida contada estava em branco,
Haviam palavras por dizer,
Mãos que tinham muito por tocar.
Acordei e descobri que te queria,
Num desejo que é mais do que desejo,
Em cada carícia sobre a tua pele,
E em cada beijo demorado,
Um desejo de ser profundo,
Tão profundo quanto o mais profundo mar…
Em cada beijo demorado,
Ser mais do que eu,
Dar-te mais do que tenho,
Misturar-me mais do que em ti,
Sermos mais do que um.
Em cada beijo demorado,
Nascerem mil sois em nós,
Sermos mar revolto,
Trovão que ecoa pelo tempo,
Termos a força de mil vidas,
Para fazer dos lábios selo de eternidade.
A cada beijo demorado,
Sermos mais do que nós,
Vontade mais do que nossa,
De nos despirmos de tudo,
E encontrar no fundo do olhar,
O que existe para além de nós que nos tocamos.
A cada beijo amar-te a ti,
Como só a ti amaria,
Nem que para isso só tivesse este momento.
Ah Quem te colocou no meu caminho?
Não será por minha vontade
Não será por minha vontade
Que parará de bater este coração
Não temo a solidão
Abraço com ternura a dor
Embriago-me de alegria
Deixo-me acariciar pelo sol
Lavo a alma com chuva forte
Arrepio-me com esse frio de Inverno
E tu que esperas na minha cabeceira
Velas para que adormeça para sempre
Sabe que não será por minha vontade
Que parará de bater o meu coração
Vivo a minha vida como se fosse minha
Mesmo sabendo que me deste apenas um sopro
Fizeste-me assim frágil e fraco
Deste-me esta voz como se fosse minha
Mas esperas apenas que chegue a hora de a calar
Não penses que quero ser pedra
Não sonhes com o dia em que desejarei
Desconhecer o sentir e o sofrer
Não te a devolvo nunca
Se a queres tens de me a tirar
Nunca será por minha vontade
Que se calará esta minha razão
Onde param os teus olhos?
Onde param os teus olhos?
Nesse fresco azul agitado?
Nessas rochas negras escarpadas?
Por entre os ramos desse ulmeiro antigo?
Onde param?
Para onde vai o vento que leva o teu perfume?
Para onde corre a chuva que te molha a pele?
Que céu negro infinito te abriga?
Que estrelas diamante velam por ti?
O que sussurra ao tempo o teu coração?
Que histórias contam teus lábios?
Que asas elevam os teus sonhos?
Que saudade vagueia no teu pensamento?
Onde param os teus olhos?
Ah essa sorte não é para mim…
